domingo, 5 de outubro de 2008

A corrida espacial e as conquistas do século XX - PARTE 2

A suposta existência de água no planeta vermelho levantou a suspeita da existência de vida em Marte, sugerida pela primeira vez no século XIX pelo padre jesuíta Pietro Angelo Secchi (1818-1878) e pelo astrônomo Giovanni Virginio Schiaparelli (1835-1910). Eles chegaram a essa idéia depois de observações astronômicas que fizeram na Itália em que detectaram a existência de vales, aos quais denominaram canali.

O norte-americano Percival Lowell (1885-1916) fez uma interpretação equivocada dessa denominação e passou a achar que se tratava de canais construídos por marcianos para transportar água das regiões polares para a irrigação de plantações. Inspirado nisso, o romancista Herbert George Wells escreveu uma novela científica na qual narra a invasão da Terra por marcianos (Guerra dos Mundos, de 1898).

Foi inspirado neste livro que, em 1938, o cineasta George Orson Welles anunciou, em uma novela radiofônica, a invasão de discos voadores marcianos que dirigiam-se a Nova Jersey, provocando enorme pânico na população da região de Nova York.

As imagens obtidas na década de 60 pelas sondas espaciais Mariner descartaram a hipótese de existência de vida inteligente em Marte. Recentemente, a hipótese de existência de vida, mesmo que primitiva, no planeta vermelho, voltou à discussão por causa da descoberta de microfósseis de formas primitivas de vida no meteorito AHL84001, encontrado na Antártida e, supostamente, originado daquele planeta.

Imagens de alta definição obtidas por sondas enviadas ao planeta permitem observar feições morfológicas compatíveis com a existência de fluxo de água e a presença de sedimentos. As missões não tripuladas enviadas a Marte, como Mars Pathfinder e Mars Global Surveyor, são exemplos de desenvolvimento científico e tecnológico inéditos que resultaram em grande número de dados e imagens.

Entre os argumentos encontrados para justificar os investimentos em projetos espaciais está o fato de Marte apresentar algumas características semelhantes às da Terra, o que pode auxiliar nos estudos sobre o desenvolvimento da vida em nosso planeta. O planeta vermelho também apresenta condições apropriadas para uma eventual missão tripulada.

Marte possui cerca de metade do diâmetro da Terra, 6.800km, duração do dia de 24h37min, inclinação do eixo de rotação de 25º em relação a sua órbita (a Terra apresenta inclinação de 23,5º) e mudanças climáticas semelhantes às terrestres. E, como na Terra, acredita-se que em Marte pode ter havido vida.

A exploração de Marte teve início na década de 60, com a Marte 1 lançada em 1962 pelos russos, mas que perdeu contato com a Terra no caminho. Os EUA também fracassaram em 1964 quando mandaram a Mariner 3 e os painéis solares não se abriram. No mesmo ano, os americanos enviaram a Mariner 4 que orbitou a 9.920 km de Marte e enviou 22 fotos, as primeiras da superfície deserta e cheia de crateras.

A Mariner 7 foi lançada em 1969 e sobrevoou uma área do pólo sul de Marte registrando cerca de 200 fotos. A Rússia enviou a Marte 2 em 1971, que foi destruída por uma tempestade de areia depois de pousar em solo marciano. A Marte 3, enviada no mesmo ano, fez o primeiro pouso bem sucedido, apesar de ter enviado informações durante apenas 20 segundos.

A sonda americana Mariner 9 ficou na órbita do planeta, em 1971, e mapeou 85% da superfície marciana. Nesta ocasião, foram conseguidas imagens de alta resolução dos satélites marcianos, Fobos e Deimos. Em 1973, a Rússia enviou as sondas Marte 4 e 6. A primeira não conseguiu ficar em órbita e a segunda pousou, mas perdeu contato com a Terra após dois minutos.

Em 1975, os americanos lançaram a Viking 1, que pousou cuidadosamente e enviou 26 mil imagens, nas quais foram descobertas as calotas de gelo nos dois pólos. No mesmo ano, a Viking 2 enviou mais uma grande quantidade de dados da cápsula orbital e também da nave que desceu à superfície de Marte. Nesta missão detectou-se a existência de argônio e nitrogênio na atmosfera daquele planeta.

Os russos enviaram a Fobos 1, em 1988, para reconhecer o satélite Fobos, mas os painéis solares não funcionaram. A norte-americana Mars Observer foi enviada em 1992 e permitiu detalhadas pesquisas sobre o solo marciano, além de ter enviado muitas imagens à Terra. Nesta ocasião foram investigados o solo e as condições atmosféricas do planeta.

Em 1996, mais uma sonda norte-americana foi enviada. Mars Global Surveyor apresentou problemas e só passou a enviar imagens a partir de 1997. A Pathfinder, também norte-americana, pousou em solo marciano em 1997 com o jipinho Sojourner. Foi a primeira vez que foram obtidas fotos coloridas, além dos muitos dados científicos.

Mais duas missões estão sendo preparadas, a Mars Climate Orbiter e a Mars Polar Lander. A primeira tem o objetivo de estudar o clima, e a segunda, de buscar água em solo marciano através de perfuração. Outros projetos estão sendo desenvolvidos para obter mais dados sobre o planeta vermelho. É o caso do projeto da Nasa chamado "Referência Marte", que pretende enviar uma nave tripulada a aquele planeta até o ano de 2014.


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